{"id":5677,"date":"2023-06-01T08:49:29","date_gmt":"2023-06-01T08:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/?st-import=774bfd6ba3c033e5a8e9f8700c174d9e"},"modified":"2023-06-01T08:49:29","modified_gmt":"2023-06-01T08:49:29","slug":"visita-de-estudo-ao-forno-da-cal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/2023\/06\/01\/visita-de-estudo-ao-forno-da-cal\/","title":{"rendered":"Visita de Estudo ao Forno da Cal"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/Foto-2-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5683\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz do forno de cal pode ter-se apagado no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, ap\u00f3s ter brilhado durante cerca de 160 anos, mas o brilho nos olhos do sr. C\u00e2ndido ganha vida ao contar as hist\u00f3rias da liga\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia \u00e0 ind\u00fastria da cal aqui no Porto Santo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cal est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria do povo porto-santense.&nbsp;&nbsp;O trabalho era t\u00e3o duro n\u00e3o s\u00f3 no Ilh\u00e9u da Cal ou de Baixo, mas tamb\u00e9m nos fornos da cal que laboravam dia e noite, sem parar. Como testemunhas silenciosas, as casas dos mineiros, em ru\u00ednas, no ilh\u00e9u, vigiam as galerias de onde o calc\u00e1rio era extra\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi uma vida t\u00e3o \u00e1rdua! O f\u00edsico dos trabalhadores rivalizava com os atletas ol\u00edmpicos mais conscienciosos e aplicados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do advento das ferramentas motorizadas e mec\u00e2nicas, todo o trabalho era feito \u00e0 m\u00e3o, apenas animais e barcos eram usados \u200b\u200bpara transportar a pedra e o produto acabado at\u00e9 \u00e0 trai\u00e7oeira Travessa entre o Porto Santo e a Madeira. A rota mar\u00edtima e o material para a chama eram controlados pela fam\u00edlia Blandy, na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calc\u00e1rio era colocado no forno e alternado com camadas de carv\u00e3o mineral (de prefer\u00eancia, pois era mais rent\u00e1vel) importado da Inglaterra ou madeira. Ficava em combust\u00e3o durante 2 ou 4 dias ou mais, dependendo da qualidade do calc\u00e1rio. Ap\u00f3s esta cozedura a pedra era retirada e espalhada pelo ch\u00e3o. Era a chamada \u201ccal morta\u201d. Aplicava-se \u00e1gua por cima destas pedras calc\u00e1rias, transformando-as em \u201ccal viva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fornos faziam parte do quotidiano dos porto-santenses, juntamente com a f\u00e1brica de conservas. As crian\u00e7as, como o nosso coordenador sr. \u00c9lvio Sousa nos confidenciou, brincavam ao lado do forno, enquanto este cozinhava lenta e delicadamente o calc\u00e1rio para formar o precioso p\u00f3 branco de cal usado para revestir as casas por dentro e por fora de uma forma natural, formando uma camada respir\u00e1vel perfeita para o nosso ambiente subtropical, mantendo as casas quentes no inverno e frescas no ver\u00e3o. Era como um climatizador natural, alega o sr. C\u00e2ndido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calc\u00e1rio foi sucessivamente substitu\u00eddo por outros materiais de constru\u00e7\u00e3o nos tempos mais modernos. Contudo, continua a ser um recurso natural \u00fatil para edif\u00edcios hist\u00f3ricos e desinfe\u00e7\u00e3o, mas agora n\u00e3o \u00e9 economicamente vi\u00e1vel a sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concluindo, o patrim\u00f3nio industrial do Porto Santo \u00e9 um tesouro desta ilha. \u00c9 uma hist\u00f3ria de trabalho \u00e1rduo, de determina\u00e7\u00e3o e \u00e0s vezes de perda de vidas, que deve ser ouvida em alto e bom som, antes que as pessoas com liga\u00e7\u00f5es que lhe est\u00e3o associadas n\u00e3o consigam mais cont\u00e1-la\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mantenhamos a chama acesa para n\u00e3o esquecermos os sacrif\u00edcios de quem trabalhou incansavelmente na produ\u00e7\u00e3o de cal nesta pequena ilha do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto escrito por:<\/strong> <strong>Amanda Jayne Underwood<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/foto-3-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5681\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda-feira passada a minha turma visitou o Forno da Cal do sr. C\u00e2ndido Pereira localizado no Campo de Baixo. O sr. C\u00e2ndido restaurou um dos poucos fornos da cal que ainda restam no Porto Santo. Ele explicou que estes fornos t\u00eam origem \u00e1rabe e que o processo de produ\u00e7\u00e3o da cal era uma ind\u00fastria importante para os porto-santenses porque gerava empregos que n\u00e3o dependiam da agricultura. Um dos usos da cal era na constru\u00e7\u00e3o civil. A cal era de qualidade superior e era exportada para a Madeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns pormenores sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o da cal:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>o calc\u00e1rio era extra\u00eddo por mineiros no Ilh\u00e9u da Cal e em algumas zonas do Porto Santo;<\/li>\n\n\n\n<li>o calc\u00e1rio era transportado com a ajuda de carros de bois, desde os lugares onde era extra\u00eddo at\u00e9 aos 17 fornos que existiam na ilha. O calc\u00e1rio que vinha do ilh\u00e9u era transportado em pequenos barcos at\u00e9 \u00e0 praia onde a carga era descarregada e transportada para os fornos.<\/li>\n\n\n\n<li>o forno da cal \u00e9 uma torre com uma grande bacia forrada de tijolos refrat\u00e1rios com grelha no fundo. A pedra para revestir os fornos era extra\u00edda da zona dos Morenos.<\/li>\n\n\n\n<li>o forno era carregado com camadas alternadas de carv\u00e3o e calc\u00e1rio.<\/li>\n\n\n\n<li>o carv\u00e3o queimava e o calor gerado transformava, a pedra calc\u00e1ria em cal.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo durava 2-4 dias. A queima era monitorizada constantemente por uma equipa de trabalhadores. Quando o calc\u00e1rio j\u00e1 estava cozido, a mistura de cinzas e cal era descarregada pelo fundo do forno e espalhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mistura era separada usando uma peneira grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cal era ensacada e transportada para a praia onde era embarcada num carreireiro para o Cani\u00e7al.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tarefas eram realizadas manualmente com a ajuda de animais. Todo o processo era muito perigoso. Os trabalhadores tinham pouca prote\u00e7\u00e3o e o forno estava muito quente. Com o passar dos anos, a cal mais barata foi disponibilizada em outros lugares e a produ\u00e7\u00e3o da cal no Porto Santo cessou. Felizmente, o sr. C\u00e2ndido teve a sabedoria de restaurar esta mem\u00f3ria de outrora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto escrito por:<\/strong> <strong>Kenneth Taylor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estivemos recentemente numa visita guiada ao forno da cal, cujo propriet\u00e1rio \u00e9 o sr. C\u00e2ndido Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este forno da cal esteve em funcionamento industrial no Porto Santo durante v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e foi o \u00faltimo a cessar fun\u00e7\u00f5es. O seu av\u00f4 e o seu pai trabalharam nesta atividade durante v\u00e1rias d\u00e9cadas. O sr. C\u00e2ndido Pereira \u00e9 um homem muito conhecido no Porto Santo, j\u00e1 foi at\u00e9 deputado na Assembleia Regional, presidente da Casa do Povo e tornou-se conhecido como um cidad\u00e3o extremamente prest\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O forno em causa situa-se na propriedade do sr. Pereira, na Rua do Forno da Cal e tem um aspeto ligeiramente diferente de outros edif\u00edcios semelhantes. Est\u00e1 equipado com uma rampa de carga e um pavilh\u00e3o anexo para o acondicionamento e recolha da cal depois de queimada em peda\u00e7os de calc\u00e1rio. Este calc\u00e1rio era extra\u00eddo num ilh\u00e9u perto da Calheta, conhecida como o Ilh\u00e9u da Cal e tamb\u00e9m em algumas zonas da ilha do Porto Santo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/Foto-4-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5680\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era toda uma ind\u00fastria e uma fonte de rendimento muito importante para muitos dos habitantes do Porto Santo. Diz-se que os trabalhadores das minas se alimentavam essencialmente de bolo de caco e, segundo a lenda, faziam o melhor bolo de caco do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sr. Pereira \u00e9 muito simp\u00e1tico e contou-nos muitas hist\u00f3rias. E apesar de, como a maioria dos habitantes nativos, falar depressa, conseguimos entend\u00ea-lo sem tradu\u00e7\u00e3o para outras l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mostraram-nos o forno por cima e por baixo, e explicaram-nos toda a tecnologia de cozedura do calc\u00e1rio, transformando-o em cal viva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sr. Pereira referiu, em especial, a dificuldade de abastecimento de carv\u00e3o mineral, que era importado e custava v\u00e1rias vezes mais do que no continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 interessante notar que o trabalho de extra\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio era extremamente duro e, como o sr. Pereira referiu, os homens envolvidos neste trabalho eram extremamente fortes, musculados e sem gordura&#8230; Agora seria \u00fatil que muita gente trabalhasse assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A visita durou pouco mais de uma hora, pudemos fazer perguntas e no final pudemos tirar fotografias em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Penso que sair da escola para aprender o portugu\u00eas e conhecer melhor o nosso Porto Santo \u00e9 muito educativo, como se pode ver pelo n\u00edvel de compreens\u00e3o e pelo vocabul\u00e1rio cada vez mais rico de todos os grupos estrangeiros do nosso ciclo de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/Foto-6-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5678\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, \u00e9ramos cerca de uma dezena de pessoas. Obviamente que est\u00e1vamos acompanhados da nossa querida professora Margarida Vasconcelos e do nosso coordenador como \u201cguarda-costas\u201d da professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto escrito por<\/strong>: <strong>Arcadiusz Rado\u0142saw<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/foto-7-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5682\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa visita ao Forno da Cal do sr. C\u00e2ndido Pereira no dia 29 de maio foi muito interessante. Primeiro, ele descreveu a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o da cal para o Porto Santo. Fic\u00e1mos a saber que este forno trabalhou at\u00e9 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De cima, pudemos ver a profundidade do forno e, mais tarde, fomos at\u00e9 perto da sa\u00edda do forno e o sr. Pereira explicou a produ\u00e7\u00e3o da cal desde o in\u00edcio. O trabalho era muito intensivo e perigoso, sem prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Neste forno trabalhavam cerca de 7 a 9 pessoas e por vezes, vinham mais homens, que trabalhavam na agricultura, pedir para fazerem algumas horas e receberam algum dinheiro extra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetosdre.madeira.gov.pt\/mensageiroebr\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/05\/Foto-5-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5679\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa professora, Margarida Vasconcelos e o coordenador da Escola B\u00e1sica, \u00c9lvio Sousa, conjuntamente, contribu\u00edram muito para a visita pois a professora Margarida tomava e acrescentava algumas notas e fazia perguntas e o professor \u00c9lvio traduzia muito bem para os alunos que n\u00e3o entenderam tudo. Uma boa experi\u00eancia!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto escrito por:<\/strong> <strong>Judith Taylor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>T\u00edtulo: Visita de estudo ao Forno da Cal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autores: Formandos e docente da Turma do Ensino Recorrente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Escola B\u00e1sica e Secund\u00e1ria com PE e Creche Prof. Dr. Francisco Freitas Branco<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luz do forno de cal pode ter-se apagado no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, ap\u00f3s ter brilhado durante cerca de 160 anos, mas o brilho nos olhos do sr. C\u00e2ndido ganha vida ao contar as hist\u00f3rias da liga\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia \u00e0 ind\u00fastria da cal aqui no Porto Santo. 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